- Como é possível embrutecer-se?
- Embrutece-se e pronto! - exclamou Vitor. E olha que só já tenho mais 2 min.!
- Mas como? Como é possível estabelecer uma espécie de consciência coletiva, que não vive em nós e que se encontra à disposição de ser manipulada ao sabor do que nos é filtrado para vermos ou ouvirmos? Esta forma de condicionamento não nos pode colocar ao nível de autómatos emocionais perversos? - Pedro estava indignado.
- Podes-lhe chamar a essência da natureza humana: nós estamos muito melhor programados e formatados para reagir aos nossos instintos e emoções básicas. Tocando nesses botões conseguem-se resultados mais rápidos e precisos. - retorquiu Vitor à evidência.
- Mas não era suposto refinarmos o nosso comportamento e, genuinamente evoluirmos para níveis de consciência emocional superiores, onde a compreensão da situação, nas diversas perspetivas e opiniões pode construir uma posição de compromisso? - Pedro insiste.
- Talvez num mundo ideal! Aqui não há tempo... a voragem dos dias necessita de decisões no timing certo, mesmo que depois se tenham de fazer alguns ajustamentos... - Vitor acaba por condescender.
- E à conta desse experimentalismo brinca-se com a vida das pessoas, é? Imagina esta estratégia a ser aplicada no Governo de um País como Portugal, ou da Europa...
Vitor Gaspar encolhe os ombros e despede-se, pois já tinha esgotado os 5 min. estipulados e rigorosamente cronometrados para tomar café com o amigo de longa data.
Pedro, não satisfeito, segue-lhe os passos apressados, balbuciando qualquer coisa inaudível para o comum dos mortais.
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Sem comentários:
Enviar um comentário