Todos nós, em determinadas alturas da vida já ouvimos falar (geralmente por aqueles que não são parte integrante da situação e/ou problema) do importante papel do erro, de odes ao fracasso e dos papéis que estes podem desempenhar no processo de aprendizagem.
Existe uma miríade de teorias de psico-sociologia da formação, de gestão, até de formas de viver (sim, não tenho vontade de parcelar realidades… é demodé e anacrónico!) que têm como base a premissa do erro e do seu papel na construção da nossa experiência.
Mas, voltando à realidade atávica, mas presente: Quantas pessoas são valorizadas pelos erros que cometeram, assumiram e que resultaram em aprendizagem? Que status social é atribuído ao indivíduo que fracassou? Que orgulho apresenta o indivíduo que errou, conheceu o erro e está disposto a capitalizar essa experiência de forma positiva? É usual esse dar de flanco? Terá o indivíduo a força mental para contrariar dezenas de anos de socialização com premissas que vão dar direitinho à ideia que o erro é mau e serve para ocultar e esquecer?
Mais grave: O medo de errar leva, no limite, à inacção ou à não decisão… O prolongamento dos problemas, geralmente só os avoluma, salvo raras e honrosas excepções (também ninguém me vai ver aqui defender os quick fixes instantâneos e simbólicos que muitas vezes têm muito mais de cosmético do que de substancial!).
Em súmula, a kultura vigente está muito distante das teorias progressistas que poderão merecer análise bastante, nem que seja para que não possam ser umbrellas para a desresponsabilização e inimputabilidade.
sábado, 12 de dezembro de 2009
domingo, 18 de outubro de 2009
Telenovelas e padrões de consumo... Então e os telejornais?
Nunca apreciei os iluminados que discorrem sobre a falta de lucidez, tacto e inteligência da restante mole humana (classe trabalhadora e desempregada-inocupada voluntária ou involuntariamente, incluída!), tanto mais que esse sentimento, no meu entender, auto-alimenta a pobreza de espírito nacional. Grande parte dos problemas do País provém da falta de eslcarecimento transversal a todos os sectores da sociedade... élites nacionais igualmente muito bem representadas!
Há dias surgiu mais uma improvável notícia: as telenovelas apresentam padrões de vida e consumo desajustadas das possibilidades nacionais... big deal!
Não são as telenovelas construídas para passa-tempo, entretenimento e alienação? Não deverão elas vender sonhos e ilusões? Não são produtos que geram negócios de milhões em publicidade e placement de produtos? Não são produzidas para provocar toda essa multiplicidade de efeitos?
Grave, Grave poderá ser quando as pessoas podem não ter os instrumentos que as podem defender do assédio... E aí podemos sempre voltar ao topo da cadeia, questionando o processo cívico-educativo criado pelas élites, muito mais orientado para a auto-prepetuação do que para a construção de uma sociedade justa e avançada!
Outra questão, mais importante, porque dissimulada e insidiosa, é o alinhamento dos nossos Telejornais! Hoje, levei um banho do Jormal da Tarde da SIC quando se promoveu um directo (sim! um directo...) de uma suposta notícia para mostrar o homem mais alto do mundo que visitou Portugal e o seu novo fato... voltamos às barracas de feira para mostrar as excentricidades da Natureza? Vamos reeditar as visitas ao Homem-Elefante? À mulher corcunda com bigode? Vamos prescindir dos animais do circo para termos pessoas e circos de horrores?
Pelo menos ao ver telenovelas não vamos ao engano... já nos blocos noticiosos...
Há dias surgiu mais uma improvável notícia: as telenovelas apresentam padrões de vida e consumo desajustadas das possibilidades nacionais... big deal!
Não são as telenovelas construídas para passa-tempo, entretenimento e alienação? Não deverão elas vender sonhos e ilusões? Não são produtos que geram negócios de milhões em publicidade e placement de produtos? Não são produzidas para provocar toda essa multiplicidade de efeitos?
Grave, Grave poderá ser quando as pessoas podem não ter os instrumentos que as podem defender do assédio... E aí podemos sempre voltar ao topo da cadeia, questionando o processo cívico-educativo criado pelas élites, muito mais orientado para a auto-prepetuação do que para a construção de uma sociedade justa e avançada!
Outra questão, mais importante, porque dissimulada e insidiosa, é o alinhamento dos nossos Telejornais! Hoje, levei um banho do Jormal da Tarde da SIC quando se promoveu um directo (sim! um directo...) de uma suposta notícia para mostrar o homem mais alto do mundo que visitou Portugal e o seu novo fato... voltamos às barracas de feira para mostrar as excentricidades da Natureza? Vamos reeditar as visitas ao Homem-Elefante? À mulher corcunda com bigode? Vamos prescindir dos animais do circo para termos pessoas e circos de horrores?
Pelo menos ao ver telenovelas não vamos ao engano... já nos blocos noticiosos...
sábado, 26 de setembro de 2009
Generation Gap is gone
Nos meus idos tempos de infância e imberbe puberdade o discurso sobre o generation gap era uma constante. Existiam debates e discussões na televisão com as sumidades, os livros de Inglês (do preparatório e secundário – da altura!) produziam textos sobre o assunto para nos ensinar a falar Inglês e, por aí fora…
À medida que os 90’s se espraiaram na linha do tempo e o novo milénio se instalou, a discussão sobre este assunto foi desaparecendo e simplesmente se esfumou da agenda mediática… Porquê? (1ª Questão)
Para além disso, começou inclusivamente a falar-se num fenómeno inverso ou reverse (a bucha inglesa fica sempre bem na prosa!)… Ou seja, começaram a surgir insistentes referências no papel dos filhos na educação para a ética e valores, bem como no acrescento de competências aos papás menos sensibilizados para a coisa… ele é ver revelar o papel dos filhos na consciência ambiental dos papás que teimosamente continuam a não reciclar e a mandar tudo o que é lixo para o chão, à excepção do território do chão lá de casa… ele é ver a valia do Magalhães e dos PC’s do e-escola que, em conjunto com os ensinamentos dos petizes, só se podem revelar como mola impusionadora nas competências em Sistemas de Informação dos papás… etc., etc., etc.!
Será que teremos assumir que as gerações mais novas terão que ensinar cidadania ética e valores aos mais velhos? Quais são as causas para que isso aconteça?
(2ª Questão / 3ª Questão)
E os putos quando crescerem… Vão ser conspurcados pelo processo de socialização e também vão necessitar de ser ajudados a serem recordados das suas responsabilidades pelas novas gerações da altura?
(4ª Questão)
Mas se são os putos “tábuas rasas”, como podem eles saber a diferença entre o que está bem ou mal? Será que a condição humana, só por si, isolada de qualquer factor ambiental afinal pressupõe mecanismos de consciência moral? Para que serviu então o ditado dos mandamentos?
(5ª Questão e mais)
Será que é este um mecanismo regulador natural que, quando o sonho se apaga nos velhos, se reacende a chama da ética e da utopia nos mais novos? Mas em todos? Ou isto também tem o seu quê de elitista e só é reservado a algumas crianças (ver para esse efeito a construção empírica do conceito de indigo children)? Os outros, pelo contrário, seguem com a carneirada e rapidamente absorvem as falhas do processo de socialização?
(mais questões…)
E outras mais haveriam… Uma linha de investigação a seguir!
À medida que os 90’s se espraiaram na linha do tempo e o novo milénio se instalou, a discussão sobre este assunto foi desaparecendo e simplesmente se esfumou da agenda mediática… Porquê? (1ª Questão)
Para além disso, começou inclusivamente a falar-se num fenómeno inverso ou reverse (a bucha inglesa fica sempre bem na prosa!)… Ou seja, começaram a surgir insistentes referências no papel dos filhos na educação para a ética e valores, bem como no acrescento de competências aos papás menos sensibilizados para a coisa… ele é ver revelar o papel dos filhos na consciência ambiental dos papás que teimosamente continuam a não reciclar e a mandar tudo o que é lixo para o chão, à excepção do território do chão lá de casa… ele é ver a valia do Magalhães e dos PC’s do e-escola que, em conjunto com os ensinamentos dos petizes, só se podem revelar como mola impusionadora nas competências em Sistemas de Informação dos papás… etc., etc., etc.!
Será que teremos assumir que as gerações mais novas terão que ensinar cidadania ética e valores aos mais velhos? Quais são as causas para que isso aconteça?
(2ª Questão / 3ª Questão)
E os putos quando crescerem… Vão ser conspurcados pelo processo de socialização e também vão necessitar de ser ajudados a serem recordados das suas responsabilidades pelas novas gerações da altura?
(4ª Questão)
Mas se são os putos “tábuas rasas”, como podem eles saber a diferença entre o que está bem ou mal? Será que a condição humana, só por si, isolada de qualquer factor ambiental afinal pressupõe mecanismos de consciência moral? Para que serviu então o ditado dos mandamentos?
(5ª Questão e mais)
Será que é este um mecanismo regulador natural que, quando o sonho se apaga nos velhos, se reacende a chama da ética e da utopia nos mais novos? Mas em todos? Ou isto também tem o seu quê de elitista e só é reservado a algumas crianças (ver para esse efeito a construção empírica do conceito de indigo children)? Os outros, pelo contrário, seguem com a carneirada e rapidamente absorvem as falhas do processo de socialização?
(mais questões…)
E outras mais haveriam… Uma linha de investigação a seguir!
domingo, 30 de agosto de 2009
Corajosa covardia...
Há um impulso em mim por causas impossíveis... O alento que é necessário em diversas situações cresce em mim perante a maior e intransponível possibilidade de o conseguir!
Até parece que a impossibilidade me dá mais certeza no passo em frente... Modo automático que me parece fazer mais eficiente em modo de "gestão de crise"! Ou será isto insensibilidade, pois através de relativização das "coisas", aceito baixas e danos colaterais muito mais facilmente que uma pessoa com mais coluna vertebal que eu? Apesar de eu odiar pensar que não me rego por altos standards éticos e tentar praticar diariamente...
Para uma instrospecção sobre estas questões em mim e nos outros é necessário mesmo uma "corajosa covardia"! Será que a tenho?
Até parece que a impossibilidade me dá mais certeza no passo em frente... Modo automático que me parece fazer mais eficiente em modo de "gestão de crise"! Ou será isto insensibilidade, pois através de relativização das "coisas", aceito baixas e danos colaterais muito mais facilmente que uma pessoa com mais coluna vertebal que eu? Apesar de eu odiar pensar que não me rego por altos standards éticos e tentar praticar diariamente...
Para uma instrospecção sobre estas questões em mim e nos outros é necessário mesmo uma "corajosa covardia"! Será que a tenho?
quarta-feira, 20 de maio de 2009
Os pecadilhos de gestão da Administração!
Será que uma administração (Pública, no caso em apreço e sobre a qual recai o caso) que não sabe o que recebe e quando o recebe, apesar de o ter recebido, tem a capacidade de saber e justificar o que gasta? Não me parece... Cansado da burocratia!
Questão: O meio que se constitui na cobrança de impostos torna-se um fim sem qualquer outro propósito senão cobrar? Para quê? Gastar sem critério? Gastar sem limitações? Nunca ouviram as ideias base da Economia: Recursos sempre escassos, necessidades ilimitadas...
Questão: O meio que se constitui na cobrança de impostos torna-se um fim sem qualquer outro propósito senão cobrar? Para quê? Gastar sem critério? Gastar sem limitações? Nunca ouviram as ideias base da Economia: Recursos sempre escassos, necessidades ilimitadas...
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sábado, 2 de maio de 2009
O medo... e a sua função!
Carneirada... fujam dos porcos! Antagonismo de espécies de Quinta que me faz ter recordações mais agradáveis dos quadradinhos BD do Donald, seus sobrinhos e avó ternurenta.
Mas é assim que me sinto: Gripe suina, corrijo, gripe Classe A (H1N1?!!!!) que fez o governo egipcio matar uns milhares desses infames animais, não será mais uma maneira de banhada de controlo para os control freaks que nos vamos tornando?
Pandemia... Quantos infectados? 600? A maioria, no México... Quantos mortos? Meia dúzia... Sem desvalorizar o valor de cada vida humana, não será isto uma estratégia de pânico para vender jornais, publicidade e Tamiflu? Em contraponto, quantas crianças subnutridas faleceram durante as últimas semanas em que este assunto andou a abrir telejornais?
Questões que nos fazem questionar estratégias de medo e controlo em cenários de crise... ou ainda formas de elevar o papel social da indústria farmacêutica e escurtinadores-mor de uma opinião pública com informação direccionada... Lucros e vendas a cair? Paper and pills...
calm, fitter, healthier and more productive
a pig in a cage on antibiotics.
(Fitter Happier, Ok Computer [1997], Radiohead)
Mas é assim que me sinto: Gripe suina, corrijo, gripe Classe A (H1N1?!!!!) que fez o governo egipcio matar uns milhares desses infames animais, não será mais uma maneira de banhada de controlo para os control freaks que nos vamos tornando?
Pandemia... Quantos infectados? 600? A maioria, no México... Quantos mortos? Meia dúzia... Sem desvalorizar o valor de cada vida humana, não será isto uma estratégia de pânico para vender jornais, publicidade e Tamiflu? Em contraponto, quantas crianças subnutridas faleceram durante as últimas semanas em que este assunto andou a abrir telejornais?
Questões que nos fazem questionar estratégias de medo e controlo em cenários de crise... ou ainda formas de elevar o papel social da indústria farmacêutica e escurtinadores-mor de uma opinião pública com informação direccionada... Lucros e vendas a cair? Paper and pills...
calm, fitter, healthier and more productive
a pig in a cage on antibiotics.
(Fitter Happier, Ok Computer [1997], Radiohead)
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sexta-feira, 10 de abril de 2009
Para desenjoar de Economia... falemos de...
Hoje, enquanto via as tablóide-notícias da televisão, levadas ao extremo da repetição por qualquer das emissoras televisivas (em canal aberto ou no cabo), ouvi um padre italiano (jesuita, creio eu...) a dizer que Deus é Amor! Face a situações que forçam a redefinição da nossa condição humana, como aquela que se vive em Itália, aprecio a Igreja que consegue "entregar" um Deus Amor, entidade abstracta q.b., em substituição de um Deus normativo e punitivo, representado na Terra por "instituições" mais ou menos talibans*. Não consigo, ainda assim, deixar de assinalar a adaptabilidade do discurso à circunstância (ironia minha q.b., igualmente!).
Declaração de Princípio: Posição Levemente ateia com aproximação a posição agnóstica, talvez explicado pela constante aproximação do momento de finar!
* O que quer que o termo signifique!
Declaração de Princípio: Posição Levemente ateia com aproximação a posição agnóstica, talvez explicado pela constante aproximação do momento de finar!
* O que quer que o termo signifique!
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
Interlúdio
Não, o blogue do Zandinga reencarnado não se encontra aqui...
Apenas encontrarão aqui um escape de quem, num exercício de (tentativa) auto-conhecimento desabafa sobre assuntos não totalmente resolvidos dentro da sua (minha) cabeça! E é preciso ter tempo... (o atropelo do importante pelo urgente pode sempre comprometer...)
Recupero e reconheço em mim aquela sensação que assiste à ideia base do Matrix - The Movie, de que existe sempre algum ruído de fundo sobre a situação... mas as minhas ambições serão muito mais modestas que as do Keanu Reeves (ou será Neo?)! Aliás, troar palavras tem uma contradição que demonstra a humildade de quem tem dúvidas se as consegue troar... muito menos canhões!
Também não se espera o embarque em teorias de grande conspiração para escravizar o homem por seus semelhantes... mas com igual descomplexo também consigo afirmar que a aleatoriedade do real consegue deitar muitos e bons planos de cabeças inteligentes, mas sem caractér, por terra!
Extremistão, welcome! (Biblio: NNT - O Cisne Negro!)
Apenas encontrarão aqui um escape de quem, num exercício de (tentativa) auto-conhecimento desabafa sobre assuntos não totalmente resolvidos dentro da sua (minha) cabeça! E é preciso ter tempo... (o atropelo do importante pelo urgente pode sempre comprometer...)
Recupero e reconheço em mim aquela sensação que assiste à ideia base do Matrix - The Movie, de que existe sempre algum ruído de fundo sobre a situação... mas as minhas ambições serão muito mais modestas que as do Keanu Reeves (ou será Neo?)! Aliás, troar palavras tem uma contradição que demonstra a humildade de quem tem dúvidas se as consegue troar... muito menos canhões!
Também não se espera o embarque em teorias de grande conspiração para escravizar o homem por seus semelhantes... mas com igual descomplexo também consigo afirmar que a aleatoriedade do real consegue deitar muitos e bons planos de cabeças inteligentes, mas sem caractér, por terra!
Extremistão, welcome! (Biblio: NNT - O Cisne Negro!)
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